
As exportações brasileiras de frutas frescas registraram um desempenho histórico ao longo do primeiro semestre de 2026. De acordo com dados oficiais do Comex Stat, de janeiro a junho, os embarques internacionais movimentaram quase US$ 700 milhões (FOB), ultrapassando a marca de 600 mil toneladas enviadas ao mercado externo. Este resultado se consolidou como o melhor índice para o período desde o início da série histórica, em 1997. O balanço comercial do setor fechou a primeira metade do ano com um superávit superior a US$ 170 milhões (FOB), o patamar mais alto registrado para um primeiro semestre desde 2021.
O grande motor desse avanço histórico foi a força produtiva do Vale do São Francisco (BA/PE). Os embarques de manga da região cresceram perto de 40% em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando mais de 120 mil toneladas destinadas ao mercado externo. Outras culturas também se destacaram, como as melancias oriundas da Chapada do Apodi (RN/CE), que avançaram cerca de 6% (78 mil toneladas); os limões e limas, que mantiveram estabilidade superando as 100 mil toneladas impulsionados pelo mercado europeu; e o mamão, que atingiu recorde na série histórica ao somar quase 30 mil toneladas. No Sul do país, a forte recuperação da safra de maçã 2025/26 gerou um incremento de 200% nos envios ao exterior, com foco nos mercados da Índia e da Arábia Saudita.
Para a segunda metade do ano, o setor mantém o otimismo, projetando que as exportações totais superem novamente a marca de US$ 1 bilhão até o encerramento de dezembro. Contudo, a manutenção de um padrão rigoroso de qualidade e o monitoramento climático serão determinantes. Na entressafra de abril a julho, oscilações na qualidade resultaram na redução de quase 30% nos embarques de banana e recuo de 2% nos envios de melão à Europa. Fatores políticos e a concorrência global também exigem atenção: a uva brasileira enfrenta uma tarifa de 33% para entrar nos Estados Unidos, limitando sua participação no país a apenas 6% dos envios (uma queda de 30% no total embarcado), enquanto a retomada da produção de melão e melancia na América Central e na Europa promete acirrar a disputa de mercado nos próximos meses.
Fonte: Hfbrasil.org.br e Comex Stat